Código: Heil Comédia!

Década de 1940 / 99' / EUA / Em inglês legendado em chinês / Comédia / P&B

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C para Crítica de Arte

Heil Comédia! 

Autor: Francisco Lo

“Uma gargalhada não é nada para desprezar” diz um actor secundário em resposta ao desânimo do encenador ante uma tentativa de acrescentar uma deixa divertida numa peça séria. Este é o primeiro de vários momentos ultra-cómicos neste filme. Na verdade, a comédia sempre foi uma espécie de cidadão de segunda no mundo do cinema. É raro uma comédia vencer prémios de prestígio. Um filme com piadas não é arte séria. Ou pelo menos é o que se diz.

A comédia tem uma longa e venerável tradição na história da imagem em movimento. O realizador deste filme é um dos mais respeitados inovadores neste género cinematográfico. Apesar de nunca ter ganho um Óscar (à excepção de um Óscar honorário), a sua inabitual sensibilidade é comparável ao toque dourado do Rei Midas. E esta audaciosa comédia dá testemunho da sua escrita inteligente e realização perfeita.

Quão audaciosa é esta comédia? Foi filmada e estreada numa altua em que os Estados Unidos tinham acabado de se juntar à guerra contra um terrível ditador (e seus aliados). Apesar de ser relativamente comum para a industria cinematográfica apoiar o esforço de guerra através de criação de entretenimento para levantar a moral, este filme não poderia estar mais distante do género propagandístico. A sua é uma sátira descarada de um regime monstruoso e dos campos de concentração — uma abordagem escandalosa da guerra para o público americano da época. Contudo, para o realizador, o seu sentido era profundamente pessoal. Enquanto judeu cujo antigo país caira nas mãos erradas, o realizador entendia a comédia como uma forma de lutar contra o maior megalómano do mundo.

A história centra-se numa trupe de teatro cujos planos de encenar uma peça séria sobre o grande ditador caem por terra por causa da invasão eminente. Josef, o actor principal, fica furioso quando um membro do público sai durante a sua interpretação de um solilóquio de Shakespeare. Ora esse jovem espectador dirige-se aos bastidores para se encontrar com Maria, a sua esposa e actriz principal, que adora a atenção do piloto de caça, em vez da do seu sempre carente marido. Entretanto, Josef ignora comicamente o pretendente de Maria dado estar mais preocupado com o facto deste ter saído durante a sua fala. No entanto, todas estas questões matrimoniais cessam abruptamente quando o exército inimigo avança. É aqui que o filme se torna sombrio. Debaixo da ocupação, a trupe de teatro torna-se num participante involuntário dos planos da resistência para fazer falhar um espião inimigo. Com a ajuda dos colegas, Josef—o auto-proclamado maior actor do seu país— tem de confiar na sua experiência teatral para escapar vivo desta complicação. Só graças à mestria do realizador é possível tornar esta aflitiva situação num incessante circo de riso.

Para além de disparar frases engraçadas a uma velocidade tremenda, a grandeza do argumento reside na sua série de inteligentes manobras narrativas. Quem vê o filme pela primeira vez divertir-se-á com as imprevisíveis reviravoltas, ao passo que vê-lo repetidamente permite apanhar muitos dos duplos sentidos. No centro de tudo encontra-se Jack Benny, uma lenda da rádio americana. Porém, Josef é talvez o único papel que maximiza o seu génio cómico. Quer seja a tresloucada química com a impecável Carole Lombard, ou a sua estapafúrdia dupla imitação, Benny brilha como uma verdadeira estrela da Idade de Ouro de Hollywood.

Dado o próprio tema ser arriscado, nenhum dos elementos cómicos do filme teria resultado se a película não tivesse uma sólida estrutura emocional. Sem um rigoroso azimute moral, o filme seria apenas uma gargalhada barata por todos os motivos errados. Entre um memorável elenco de personagens, Greenberg (interpretado por Felix Bressart) destaca-se acima de todos. Sendo o único judeu na trupe, Greenberg sonha com o papel de Shylock em O Mercador de Veneza. Em três pontos distintos da história, o humilde actor secundário recita a famosa fala de Shylock com grande impacto. De cada vez, o contexto varia, assim como o peso emocional. Todavia, a sua comovente interpretação encarna o coração e a alma do filme em cada uma das vezes.

Assim é feita uma comédia perfeita.

* Texto extraído da brochura do Festival de Cinema Surpresa.

* Conversa pré-sessão com oradora convidados 
  Oradora: Francisco Lo (Programador, escritor e professor)

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